Contrariando a natureza do rock, os Rolling Stones ousam permanecer vivos
O compacto inimigo tinha que ficar o mais longe possível do sofisticado equipamento stereo montado por meu pai, e só muito relutantemente emprestado (sob vigilância estrita) para os primeiros embalos de sábado à noite da meninada. Terminada a festa, amigos despachados para casa, não resisti: “Satisfaction” saiu do forno. E eu me apaixonei.
Entendam: cresci numa casa extremamente musical, dominada por Ary Barroso, Luiz Gonzaga, Dolores Duran Chopin e bossa nova. A sonoridade do rock – que ouvi pela primeira vez graças a um primo rebelde, fã de Ray Charles – bateu não nos meus ouvidos, mas diretamente no esterno, ali naquele ponto onde as costelas se prendem, ali na frente do coração, dos pulmões. Era uma sensação que nenhuma outra forma de música despertara em mim. E eu estava determinada a seguir esse caminho até o fim.
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