Arismar do Espírito Santo e Leonardo Amuedo fazem releituras da obra do compositor
O álbum foi todo feito pela dupla, sem participações. O multi-instrumentista brasileiro Arismar se divide entre violões, baixo e guitarra. O guitarrista uruguaio traz seu instrumento para dividir os novos arranjos feitos especialmente para o encontro. O entrosamento entre os dois músicos é evidente, e foi descoberto ao acaso. Assistindo a um show de um amigo em comum os dois foram convidados para uma canja. O improviso deu tão certo que no mesmo dia surgiu a idéia do CD.
O desafio da canja foi levado para o estúdio. Em apenas quatro dias de gravação a dupla montou os arranjos e gravou como se estivesse ao vivo. "Uma singularidade especial no conceito desse disco é a de conseguir captar momentos de criação musical instantânea, com arranjos definidos e modificados ainda durante a gravação", comemora Rodrigo Villalobos, que divide a produção do álbum com os artistas.
A dupla passeia por melodias já bem conhecidas internacionalmente. A rica obra de Ivan Lins é reverenciada em sucessos como Dinorah, Dinorah, Bilhete, Me deixa em paz e Madalena. Leonardo tira um solo especialíssimo de uma guitarra portuguesa para Aos nossos filhos, recheada de emoção. Em Somos todos iguais esta noite Arismar marca o samba com seu violão de sete cordas, às vezes soando como percussão ou encontrando novos (e livres) horizontes.
Sambas e canções ganham um gosto de jazz em inovações melódicas que trazem novo frescor a um repertório já bem conhecido e repetido por aí. Arismar e Leonardo abrem outros caminhos a partir das melodias já conhecidas. O ouvinte se deixa levar e surpreende com a nova viagem.
Leonardo trouxe a vantagem de, há mais de seis anos anos, fazer parte da banda que acompanha o homenageado. Com essa intimidade a dupla cavou músicas menos conhecidas como Essa maré, dobradinha com um de seus primeiros parceiros, Ronaldo Monteiro de Souza. Ivan Lins assina sozinho o tema Antonio e Fernanda (Setembro).
O álbum tem esse clima de encontro informal de dois músicos. Nada é muito estudado, a espontaneidade dita as regras. Mas como reúne dois músicos de talento e criatividade e uma obra rica em harmonias, o terreno é propício para improvisos. As músicas renascem.
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